Episódio 15 – Dá pra medir a felicidade? II de III

Nesse episódio a gente vai continuar conversando sobre o desafio, os problemas, os limites e o sonho de medir a felicidade. No episódio passado, eu falei da importância de ter um conceito bem definido ou com um consenso mínimo pra rolar medir, que não é bem o caso da felicidade… No episódio de hoje, o foco vai ser mais em torno do aspecto estatístico da mensuração da felicidade. Em um tanto, eu vou voltar a falar do problema conceitual, porque, bom… ele é chave pra todo o problema de medir felicidade, mas vou falar também da validade e da precisão estatística e, mais pro fim, das fragilidades do questionário, que é o principal método para medir felicidade.

Então, prepara uma caneca cheia de café, dá uns tapas na própria cara que o episódio de hoje vai ser bom, mas comprido.

Se é amplo, como medir?

Quando se trata de medir um objeto físico, a coisa tende a ser muito mais simples. Não está em discussão se se está medindo uma pedra ou não, porque a gente tem uma série de informações sensoriais que confirma que a pedra está lá. Segundo o Luiz Pasquali, um dos mais importantes psicometristas do Brasil,… abre aspas:

“Em Física, o instrumento é um objeto físico que mede propriedades físicas; então parece fácil se ver que a propriedade do objeto mensurante é ou não congruente com a propriedade do objeto medido. Tome, por exemplo, o caso da propriedade comprimento do objeto. O instrumento que mede esta propriedade (comprimento), isto é, o metro, usa a sua propriedade de comprimento para medir o comprimento de outro objeto; então estamos medindo comprimento com comprimento (…). Não há necessidade de provar que a propriedade comprimento do metro seja congruente com a mesma propriedade no objeto medido; os termos são unívocos, eles são conceitualmente equivalentes, aliás, idênticos.” (Pasquali, 2009, p.995)

Fecha aspas.

Agora, quando a gente pensa na Psicologia, aquilo que a gente quer medir, no caso a Felicidade, é bem mais complicado que uma pedra. Não dá pra medir o comprimento da felicidade com uma trena… não dá pra medir a felicidade com felicidade…  A intensidade ou a presença da felicidade só podem ser medidas indiretamente, por exemplo, com um questionário ou com a imagem de uma ressonância magnética da atividade cerebral. Por isso que a construção de um instrumento pra medir a felicidade dá muita dor de cabeça. A coisa não é nada simples e vai depender de um olhar atento pra saber se ele faz sentido, se funciona…

Qualquer instrumento de medida precisa ser avaliado em dois parâmetros, em relação à precisão dele e em relação à sua validade. No caso da avaliação da felicidade, o primeiro parâmetro é mais de boa, o segundo nem um pouco. Vamos por partes.

A precisão de um instrumento tem a ver com a consistência da avaliação que ele faz. Se eu repetir esse teste, os resultados vão ser parecidos? Por exemplo, eu espero que o termômetro seja muito preciso. Se ele me der temperaturas diferentes depois de um minuto vai ser um problema muito sério com o termômetro. Medi minha temperatura duas vezes, a primeira deu 37, a segunda deu 39,5… eu vou ou não vou pro hospital?

Um paralelo muito comum pra falar de precisão é com a ideia de um alvo. Imagina que você vai naqueles bares que dá pra atirar dardo. Se você sempre arremessar o dardo muito próximo um do outro, você tem muita precisão. Mirou em um lugar.. a confiança de que você acertará ali é grande. 

Esse é um ponto que é fundamental para qualquer instrumento. 

Obviamente que, no caso dos testes psicológicos, a falta de precisão é um grande problema. Se eu preencher um teste de personalidade que der o resultado que eu sou introvertido, daí eu não gosto do resultado, e refaço no dia seguinte… daí dá outro resultado, que eu sou extrovertido… nesse caso, esse teste tem uma baixa precisão. 

Existem diferentes formas de medir a precisão de um instrumento. No caso da avaliação da Felicidade, geralmente a precisão acaba sendo medida no que vão chamar de teste-reteste. Ou seja, quão próximos são os resultados de duas aplicações com a mesma pessoa no intervalo de uma semana, um mês, seis meses…

No início da psicometria, ali, ainda no século XIX, comecinho do XX, a precisão era onde os psicólogos mais investiram energia, criando, nas palavras do Pasquali (2009, p.998), uma “parafernália estatística de estimação”. Mas, na medida em que os psicólogos foram abandonando a ideia de medir o objeto psicológico tal qual um objeto natural, foi o parâmetro da validade que se tornou mais relevante. Isso porque, como eu falei, no caso da pedra, não está em questão se se está avaliando uma pedra… Mas no caso dos objetos psicológicos, como personalidade, inteligência e felicidade… daí o bicho pega.

Vamos voltar lá pro bar que tem jogo de dardo. Você acerta sempre no mesmo lugar. Precisão incrível! Deviam fazer um filme da Marvel sobre você. Mas, daí, a pessoa que tá contigo no bar te cutuca no ombro e diz: “Luciano, o alvo tá pro outro lado.” Daí você percebe que bebeu de mais e estava confundindo o alvo com uma mancha de ketchup na parede. Ou seja, só precisão, sem ter segurança do que eu preciso acertar não adianta nada. No boliche, por exemplo, eu sou preciso pacas em jogar a bola na canaleta. Não erro uma.

A validade de um instrumento, então, diz sobre o quanto esse instrumento de fato avalia aquilo que ele se propõe a avaliar (Pasquali, 2009, p.995). Pode parecer idiota essa afirmação quando a gente pensa em propriedades físicas: o comprimento de uma régua mede o comprimento da pedra, a variação da temperatura do mercúrio mede a variação da temperatura corporal… nesses casos a validade é óbvia. Mas no caso da Psicologia isso é pouco óbvio. Por exemplo, já que a personalidade não é diretamente percebida, eu vou precisar medir uma representação comportamental dela, como, por exemplo, as respostas que alguém assinala em uma prova ou teste. Marcar xizinhos em um questionário está medindo sua personalidade diretamente? Lógico que não. Mas é um caminho válido para medir a personalidade? Daí depende de como eu justifico teoricamente essa relação entre o questionário e a personalidade…. Mesma coisa para medir a felicidade.

Um tipo de validação é a de conceito. A validação de conceito implica em ter um conceito tão bem delimitado que vai ser fácil derivar algumas representações comportamentais bem coerentes. No caso da inteligência, é comum considerar que a nota em uma prova é uma boa representação comportamental. No caso da felicidade, se alguém a definisse toscamente como uma emoção positiva… poderia ser coerente dizer que sorrir é uma boa representação comportamental. Mas, bom, a gente sabe que felicidade é mais complexa do que isso. O problema é que, sem a validade de conceito, a gente não tem bem um objeto científico, mas metafísico/filosófico. 

Alguns autores vão tentar contornar esse problema com um outro tipo de validação que eles chamam de “validade de face”. Em português essa expressão é meio estranha, mas é a ideia de que, de bate e pronto, um instrumento parece medir aquilo que se propõe a medir. O Ruut Veenhoven, que organiza o World Database of Happiness, justifica a validade de face dos instrumentos de avaliação da felicidade por aí. Numa pergunta como “de 0 a 10, que nota dá para a sua felicidade” quase ninguém diz que não entende o que está sendo perguntado. Pro Veenhoven isso basta. Se as pessoas dizem entender o que está sendo perguntado e se, pra alguns especialistas (como ele), parece avaliar a felicidade, problema resolvido… 

Mas parece uma saída meio simplista e que evita um problema que é super interessante e importante: como que quase todo mundo entende o que está sendo perguntado, mas não rola, historicamente, um acordo no que consiste a felicidade?

O John Cromby (2011, p.848), professor de psicologia na Universidade de Leicester, Inglaterra, vai falar um tanto sobre isso. Ele diz que, no caso da felicidade, essa “validade de face” é uma furada e não endossa o rigor de um instrumento. O que essa validade vai significar, no fundo, é que as pessoas compreendem as regras semânticas de um questionário, compreendem aquilo que é esperado que elas respondam, mas não significa que elas tenham um conceito bem definido, suficientemente claro para haver concordância entre essa coisa, a “felicidade”, e a resposta no questionário… Tipo, é como se, na hora que alguém te dá um dardo, você sabe que precisa arremessar essa coisa pontuda pra algum lugar… mas você não sabe pra onde, não sabe a pontuação do jogo nem nada… você só arremessa. 

As pessoas têm uma boa ideia do que é esperado delas, tem uma ideia genérica de que quem sorri deve ser mais feliz, quem teve sucesso profissional deve ser feliz, quem não está na fossa deve ser feliz… mas de forma alguma isso significa que elas conseguem organizar todas essas ideias em numa definição pessoal bem formulada. Não dá pra dizer que há um conceito por trás. O que vai acabar fazendo com que um questionário acabe avaliando mais uma espécie de senso comum do que qualquer outra coisa…

Outro tipo de validação, próxima da “de face”, é a de critérios. Como funciona? Eu vou eleger algum critério que sirva de validação do meu questionário. Por exemplo, ainda que eu não saiba o que é felicidade, eu argumento que as pessoas em geral sabem dizer quem é e quem não é feliz. Posso justificar isso dizendo que, sei lá, por uma questão evolutiva, as pessoas desenvolveram a habilidade de identificar quem é feliz. Pronto! Taí a justificativa pra eu validar meu instrumento comparando os resultados dele com a avaliação que as pessoas fazem umas das outras. Se o resultado do instrumento bater com a avaliação das pessoas, tá validado.

Mas, nesse caso, não é difícil ver o problema. Quantas pessoas parecem felizes mas não se consideram? Mesma coisa com o inverso. E aquela vez que você queria ficar no seu canto, que você estava mal, mas precisou ir numa festa, receber amigos que você já tinha convidado para um jantar na sua casa… daí você junta energia e mostra a sua versão mais simpática… a gente se ajusta bem aos papéis sociais. Será que nesse caso hipotético de validação, não vai virar uma ditadura dos estereótipos? Como, por exemplo, já é… na medida em que a gente tende a dizer que pessoas extrovertidas são mais felizes? (Diener & Seligman, 2002). Mais uma vez, o instrumento vai medir principalmente o senso comum.

Outro jeito de validade de critério, muito utilizado hoje em dia, é comparar um instrumento de avaliação de felicidade com imagens de ressonância magnética do cérebro. A Psicologia Positiva ama a Neurociência. O economista inglês, Richard Layard, que é um dos editores do World Happiness Report (baseado na pesquisa global da Gallup), propôs que a evidência máxima de que a “Felicidade” existe, ou seja, de que existe um objeto pesquisável cientificamente é que quando são apresentadas fotos com pessoas sorrindo, celebrações e outras coisas positivas, uma mesma determinada região do cérebro é ativada. Mas, quanto a isso, o John Cromby (2011, p.843) criticou, abre aspas pra ele:

“…muitas das áreas e dos sistemas do cérebro atualmente consideradas ativadoras da felicidade (principalmente o córtex pré-frontal medial) são significativos, não apenas para outras emoções, mas para outras funções completamente diferentes.”

Fecha aspas.

Ativar uma mesma área do cérebro que tem muitas funções diferentes não significa muita coisa… além do fato de que “fotos de pessoas sorrindo e saltitantes” são um representações meio besta de tudo que pode ser a felicidade. É achar que o ideal de vida é ser como o alegrinho, pra usar as palavras do Rubem Alves.

Mas como a neurociência tem muita credibilidade, quem é você pra questionar, não é verdade? O Pasquali (2009, p.997) parece concordar com essa estranheza quando escreveu que a validade de critério não é rigorosa quando é utilizada sem a outra validação, a de conceito. Se você não tem um conceito, como que dá pra estabelecer quais critérios devem ser validados? É como se eu começasse a inventar que, se você segurar o dardo com o mindinho levantado é sinal de que você vai acertar no miolo do alvo… mas eu não sei diferenciar o alvo de verdade e a mancha de ketchup. A gente vive uma coisa muito parecida no dia a dia com aquelas pessoas que falam de qualquer assunto com uma pompa danada, cheias de confiança, mas no fundo no fundo não têm a menor ideia do que tão falando.

É sobre essa falta de um conceito bem delimitado que eu falei no episódio passado. Quer dizer, mais do que isso, eu falei sobre a impossibilidade de a gente ter um conceito bem delimitado de felicidade. Não é que ainda não alcançamos esse conceito… A gente não vai ter um conceito bem definido nunca, porque a elusividade, a vaguidão é uma parte inerente da felicidade.

Problema do self-report e a Precisão

Falei, falei e falei de questões teóricas sobre instrumentos…  ponto pra você que não dormiu até aqui. Mas agora vou tentar ser mais prático. Até porque não dá pra eu ser rabugento e ignorar que tem uma cacetada de teste por aí, que tem um monte de pesquisador importante divulgando resultados de pesquisas sobre felicidade, vendendo livro, dando palestra pelos quatro cantos do mundo… então deixa eu focar um pouco mais em um tipo específico de instrumento de avaliação da felicidade, que é o mais comum de todos, “o questionário de auto-avaliação”.

Questionários sobre felicidade em geral perguntam ou sobre conceitos complexos, como a satisfação com a vida, ou fazem perguntas do tipo “de um modo geral”…. como se sentiu ontem, de um modo geral…. como está se sentindo agora, de um modo geral…. quanto sorriu ontem. Todas essas perguntas exigem uma introspecção bem complicada. Por exemplo: quão satisfeito está com sua vida, te exige uma comparação entre o que aconteceu no passado, o que está acontecendo hoje e o que acha que vai rolar no futuro… quanto pesa cada bloco temporal nessa introspecção? Qual tem mais peso? Ou ainda, uma pergunta que te indague quanto de emoções positivas você sentiu na última semana vai exigir um exercício de memória e uma tentativa de descolamento do presente (pra não deixar o seu mau humor, por exemplo, interferir nessa lembrança).

Ou seja, essas perguntas pedem por memória e uma capacidade de sistematização impecáveis. Você tem que organizar informações sem ter um conceito claro, você tem que lembrar tudo que aconteceu como se revivesse no presente e sem nenhum viés. Bom, isso é claramente impossível. Taí a psicanálise, neurocientistas como Antonio Damasio e uma série de estudiosos das emoções (Ahmed, 2010; Clough, Goldberg, Schiff, Weeks, & Willse, 2007; Shields, 2005; Thrift, 2007) pra reforçar essa impossibilidade.

Vamos pegar o exemplo da Escala da Satisfação com a Vida, desenvolvida pelo Ed Diener e colegas em 1985 (1985), que é uma escala muito utilizada até hoje para avaliar Felicidade ou, como alguns vão preferir chamar, Bem-Estar. Nesse questionário de auto preenchimento, a pessoa precisa avaliar em uma escala de 1 a 7, do Discordo Totalmente até o Concordo Totalmente, 5 afirmações:

“De muitas maneiras, minha vida é próxima de meu ideal”; “As condições de minha vida são excelentes”; “Estou satisfeito com minha vida”; “Até agora eu consegui as coisas que considero importantes na vida”; “Se eu pudesse viver minha vida novamente, eu não mudaria quase nada”.

Cada uma dessas 5 afirmações poderiam proporcionar um dia inteiro ou mais de reflexão. Mas as pessoas não querem passar 5 dias preenchendo um questionário de pesquisa… nem o pesquisador quer que leve tanto tempo. Então as pessoas acabam respondendo na melhor aproximação numérica que julgam pra cada item em menos de 1 minuto. E isso é muito diferente de dizer que o questionário, de fato, avalia a “Satisfação com a Vida” ou a Felicidade.

Não rola uma relação causal consistente entre aquilo que se presume ser essa coisa interior ao indivíduo, esse estado psicológico, e a resposta no questionário. Seja uma resposta escrita, falada ou um assinalada em uma escala de 1 a 7, tanto faz. O Cromby (2011, p.846) fez uma boa síntese disso. Abre aspas:

“A visão de que questionários sobre felicidade capturam a experiência da felicidade adequadamente exige da gente deixar de lado profundas questões conceituais, relevar dificuldades associadas com a elusividade característica da felicidade, fingir que não há discrepância entre a característica da felicidade e a forma das questões, e ignorar a relevância das extensas e bem suportadas argumentações que indicam preocupação em relação à introspecção, à memória e à emoção.”

Fecha aspas.

Retomada-Síntese

    Deixa eu dar uma resumida do que rolou até aqui. Então a gente tem um problema sério de validade conceitual em um instrumento que se pretende avaliar a felicidade. Isso só não vai ser um problema caso alguém defina felicidade como uma coisa muito mais simplória do que a história indica: “felicidade é usar meia e chinelo de dedo ao mesmo tempo”. Facilzinho de medir.  Bom, mas daí eu imagino que as pessoas não vão se interessar tanto nessa específica felicidade do pé de tartaruga ninja. 

    Quando a gente assume que o que se quer avaliar é a felicidade complexa, essa aí que todo mundo quer, a gente tem ainda outro problema: a gente não tem uma boa representação externa dela pra usar como referência. Não dá pra reduzir a felicidade à frequência do sorrir, não dá pra reduzir a felicidade à avaliação que terceiros fazem da nossa vida, não dá pra reduzir a felicidade à imagem em uma ressonância magnética… além disso, não dá pra gente reduzir um objeto tão subjetivo e sem perímetro quanto à felicidade ao assinalar números em um instrumento como a Escala da Satisfação com a Vida. O papel com o número 6 na frente da frase “De muitas maneiras, minha vida é próxima de meu ideal” está muito longe de ser uma representação fidedigna da felicidade. 

Mas isso tudo que estou falando não significa que a Escala da Satisfação com a Vida não seja relevante. Ela é. O processo de assinalar um valor, de um a sete, para as afirmações é de uma complexidade tamanha que os resultados são objetos belíssimos de estudo. A diferença é que, esses resultados não são a exteriorização da felicidade, mas deveriam ser considerados como a “escolha numérica feita, numa certa circunstância, diante de uma complexa pergunta sobre a satisfação com a vida”.

Se eu considerar esse limite dos instrumentos, sou obrigado a rever um tipo comum de afirmação em artigos sobre a felicidade, como “pessoas felizes têm menos doenças cardíacas”. O que se pode afirmar, na verdade, é: “pessoas que assinalaram valores maiores em instrumentos como a Escala de Satisfação com a Vida tendem a ter menos doenças em seus históricos médicos”. Uma frase bem menos impactante que a primeira, com certeza. Eu não posso afirmar que se mediu a felicidade, muito menos que a felicidade diminui as chances de ter uma doença cardíaca…

Tentativas de escapar do problema e afirmar com mais confiança

Bom, mas isso não significa que os pesquisadores da felicidade não saibam dessas fragilidades. Muitos deles sabem e tentam fortalecer seus argumentos por meio de duas estratégias bem importantes e que muitas vezes andam juntas: a inundação de análises estatísticas e por meio de experimentos… mas essas duas estratégias batem na trave e não cumprem com o objetivo de medir a felicidade…

Estatística

    Em relação à inundação estatística, a ideia é mais ou menos a seguinte: já que medir a felicidade via um questionário tem muitas variações e dúvidas, se eu replicar esse questionário ao máximo eu vou poder trabalhar com tendências representativas de uma população. Sei lá… vamos garantir que o IBGE aplique o questionário da felicidade na pesquisa periódica (que um dia vai voltar a acontecer). Milhares de respostas pra esse questionário da felicidade junto com outras informações sobre a vida! Maravilha! Quem sabe, não rola identificar que as pessoas que se avaliam como mais felizes ganham maiores salários? Moram em certas regiões do Brasil, tem certa configuração familiar… Talvez dê para identificar uma tendência: pessoas que moram na região sul de São Paulo, têm um ou dois filhos, são casadas e têm renda mensal acima de R$10.000 são as que se avaliam como mais felizes. Chegar em um ponto como esse pode fazer parecer que o instrumento de avaliação da felicidade funciona. Pode até me ajudar a prever a resposta que alguém dará… Mas temos dois problemas aí.

O primeiro é que quando a gente fala de tendência, ou dessa comparação populacional geral (entre pessoas que moram na região sul e na região norte, por exemplo), as respostas que são dadas pro questionário sobre felicidade são tiradas do contexto particular, da história particular e viram uma média (Tolman, 1994, p. 53–4). Não importa o que o João e a Maria levaram em consideração ao responder. Importa esse agrupamento das notas transformadas em média. Abre aspas pro Cromby (2011, p.847)

“Tirar essa média a partir das respostas que muitas pessoas deram para questionários de felicidade não apenas encobre diferenças entre indivíduos, como também encobre a vasta e significativa variação da experiência para um mesmo indivíduo.”

Fecha aspas.

Quando se tira a “média”, significa que tem um monte de valor fora da média que está sendo desconsiderado na análise. Nem todas as pessoas que moram na região sul de São Paulo, têm um ou dois filhos, são casadas e têm renda mensal acima de R$10.000 se avaliaram com uma nota alta pra felicidade. Algumas se avaliaram baixo na escala, outras se avaliaram mais ou menos e outras super mega alto. Mas quando esses grupos são comparados, se está comparando a média e ignorando a pluralidade. Isso significa que essas respostas longe da média são erradas ou mentirosas? De forma alguma. Mas elas acabam ficando de fora da construção teórica, fora da “modelagem” que os pesquisadores fazem do fenômeno psicológico, pra usar a expressão do falecido filósofo neo zelandês Rom Harré (2002). E isso é um tanto óbvio, porque os pesquisadores que querem avaliar a felicidade em definitivo dependem da simplificação dela. Não dá pra ficar considerando todas as suas particularidades.

Já o segundo problema é que ter um mundaréu de números e análises estatísticas com amostras gigantes de um instrumento sem validade do conceito não vai mudar esse fato. Ter 1 resposta ou um milhão de respostas para o meu instrumento de avaliação da escarabuleusca não vai mudar o fato de eu não ter a menor ideia do que é escarabuleusca… Ou seja, o mundaréu de números e análises estatísticas vai me ajudar com a Confiança do instrumento e não com a Validade dele. Jogar um milhão de dardos não muda o fato de que eu posso continuar a acertar só uma mancha de ketchup na parede.

Mas por que que no caso das avaliações da felicidade parece que esses instrumentos fazem tanto sentido? Em primeiro lugar, porque se vários pesquisadores de instituições com muita credibilidade estão falando que aquela mancha de ketchup é felicidade, a gente tem uma tendência a acreditar. Por que eles falariam com tanta segurança se não soubessem, não é mesmo? Se alguém vai saber o que é felicidade, imagino que seja alguém em uma instituição com rios de dinheiro e com os melhores laboratórios… 

Mas é só uma mancha de ketchup, galera. Esses pesquisadores e as universidades ganham muito dinheiro pelo fato de você acreditar nisso…

Em segundo lugar, vai parecer que os instrumentos fazem tanto sentido porque as regras, convenções e expectativas sobre a felicidade são super compartilhadas… a gente não sabe bem o que é , mas a gente fala sobre felicidade por tudo quanto é canto. A gente tem uma boa ideia social de quando é mais ou menos adequado falar que alguém está feliz, quando usar ou não usar em uma frase… no meio de um velório eu não vou dizer pra alguém que é uma felicidade nos depararmos com a finitude da vida… Isso vai fazer o teste ter, tranquilamente, aquela validade de face, que é quando as pessoas entendem o que está sendo perguntado em um instrumento ou quando parece que o instrumento mede o que se propõe

Assim, quando as análises estatísticas mirabolantes da consistência de um instrumento de avaliação da felicidade são feitas, o que se está medindo é o quanto essas regras, convenções e expectativas são, de fato, compartilhadas entre pessoas. Ou seja, talvez se esteja avaliando uma certa convenção social de que velório não é o lugar pra falar de felicidade, ou de que as pessoas que moram na região sul de São Paulo, têm um ou dois filhos, são casadas e têm renda mensal acima de R$10.000 devem se avaliar como bastante felizes diante de um questionário (Cromby, 2011). 

Essas convenções ficam claras na variação que as respostas têm dependendo do contexto da aplicação: por exemplo, quando a pessoa responde sozinha, ela se dá uma nota menor do que quando responde na presença de um pesquisador (Veenhoven).

Experimentos

Vamos agora para a segunda bola na trave no caso da avaliação da felicidade, que são os experimentos. Criar experimentos é um jeito de tentar cercar seu objeto de investigação, ver se, dadas as corretas circunstâncias, ele se transforma… Eu seleciono 100 pessoas, todas preenchem uma avaliação de 1-10 sobre quão feliz estão, daí, aleatoriamente, eu seleciono metade delas pra pular de Bungee Jump. Por fim, eu avalio de novo a felicidade de todas as 100 pessoas naquela escala de 1-10. Pronto, eu vou esperar que a diferença na segunda avaliação da felicidade seja causada pela experiência de quase morte do Bungee Jump. 

Mas aí a gente tem um baita problema. Um bom experimento precisa controlar da melhor maneira possível todas as outras variáveis que não aquelas que me interessam. Ou seja, tudo que possa interferir na felicidade fora pular de Bungee Jump deveria ser controlado. E é aí, nessa tentativa de controlar o que pode interferir na felicidade que a bola bate na trave.

O problema é que felicidade é um objeto muito amplo, ele diz respeito a vida como um todo… como que dá pra isolar a vida como um todo e deixar apenas o Bungee Jump acontecer? Eu não consigo fazer com que os participantes do experimento não tenham outras influências na felicidade deles. Só o fato deles estarem vivos, serem capazes de pensar, já interfere. Só o fato de estarem participando em um experimento, de estarem em contato com o pesquisador, de estarem no grupo experimental ou no grupo controle interfere… Se o pesquisador está de jaleco, se o dia está feio ou bonito, se eles acharam uma moeda no chão…

Por essa razão, os experimentos sobre felicidade vão ter sempre uma fragilidade em relação ao que é chamado de variáveis de confusão, que nada mais são do que todas as variáveis que interferem no experimento e eu não tenho controle ou não estou atento… Fiz o experimento do Bungee Jump, talvez o fato de ser um dia extremamente quente e seco tenha feito da experiência uma tortura… talvez um olhar entre participantes tenha acendido uma paixão e interferido… talvez um impeachment rolando pelo país tenha interferido… um quadro que me lembrou minha casa de infância… em suma, tudo interfere no caso da felicidade.

E como eu não consigo isolar, os experimentos sobre felicidade não vão possibilitar que a gente identifique uma relação causal. Será que foi o Bungee Jump que causou mais felicidade ou será que foi o fato de ganhar uma experiência cara, ou o fato de ser um dia agradável? Será que é o fato de ter achado que ia morrer e sobrevivido? Ou será que a felicidade aumentou apenas porque os participantes acharam que era mais adequado dar uma nota maior para suas felicidades pra atender as expectativas do pesquisador? E isso é só o começo… dá pra ficar um dia inteiro levantando outras possibilidades de interferência (Brown & Rohrer, 2020, p.1288). 

Então, quando você ler, por exemplo, que quanto mais feliz, mais produtiva a pessoa é no trabalho, questione. Talvez seja o aumento da produtividade que leva alguém a se avaliar como mais feliz. Não é a felicidade que aumenta a produtividade, mas a produtividade que aumenta a felicidade. ou um milhão de outras possibilidades. Essas coisas de falar que felicidade gera sucesso é baboseira. Nota mental: não dá para concluir efeito de causa-consequência em relação à felicidade. Mas se for sua empresa que está propondo avaliar a felicidade, não vai levantar a mão e questionar. Fala que você está feliz, faz cara de feliz… Fica de boa e mantém o emprego. O mercado de trabalho no Brasil não tá fácil pra ninguém.

Mas a produtividade é só um exemplo. A mesma coisa vale para otimismo, gratidão, relações, doar… não tem sustentação científica rigorosa afirmar que praticar algumas dessas coisas cause felicidade. E, olha, no fundo, no fundo, eu acho que elas têm a ver com a felicidade, mas essa é a minha opinião a partir do meu entendimento difuso do que é felicidade. Definitivamente não é um achado científico. Não dá pra provar por meio de experimentos.

Problematizando

Mas e aí, o que eu faço com tudo isso? Essa chuva de informação? 

Deixa eu tentar fazer um fechamento pra tudo que falamos nesse episódio.

Felicidade é um tema muito massa. A gente quer felicidade, a gente fala dela por todo lado, mas ela é uma baita dor de cabeça pros cientistas. Mas os cientistas, sedentos por produzir conhecimento relevante, como eu (mas só que eu gosto de ser do contra), vão dar uma mexida na pesquisa, exagerar numa palavra aqui, flexibilizar uma coisinha lá… já que ninguém sabe bem o que é felicidade, a coisa passa. Deixa eu dar alguns exemplos: tem a pesquisa mais longa sobre felicidade, que já dura 80 anos, feita em Harvard, e que, na real, não avaliou diretamente a felicidade (1, 2), mas a saúde, satisfação com casamento e outras várias coisas. Tem uma famosa apresentação no Ted Talk do Robert Waldinger, que dirigiu a pesquisa durante muito tempo, em que ele dá ênfase a essa forçação de barra. Ele começa a apresentação perguntando pro público “o que faz a gente feliz ao longo da vida?”.

Ou então, tem o belo exemplo de exagero e promessas nos títulos do livro de importantes pesquisadores da Psicologia Positiva, independentemente da falta completa de sustentação científica: O Martin Seligman escreveu o “Felicidade Autêntica: use a psicologia positiva para alcançar todo o seu potencial”; a Sonya Lyubomirsky e a Barbara Fredrickson, ambas notáveis pupilas de Seligman, escreveram, respectivamente, “Positivamente Feliz: rotas para uma felicidade sustentável” e “Amor 2.0: encontrando felicidade e saúde em momentos de conexão”. Faz parecer que a felicidade já foi completamente desvendada, né?

Um último exemplo mais recente e aleatório, só pra você ver que a coisa é generalizada. Buscando aqui no Google Acadêmico por artigos sobre felicidade de 2021, um dos primeiros resultados é esse aqui: “Resposta Sensorial Autônoma do Meridiano: Fenômeno que promove felicidade” (Yin & Xiao, 2021). Os autores, Yin e Xiao, prometem um efeito causal do ASMR, que são aqueles estímulos sensoriais sutis como sussurro, a textura de algo, na felicidade. Mas não é só isso. Apesar de ter felicidade no título, os autores não avaliaram diretamente a felicidade…

Tomando essa sede pela produção de conhecimento sobre a felicidade e, ao mesmo tempo, a complexidade desse tema, a Sara Ahmed (2007) escreveu bastante sobre a consequência de se avaliar, no fundo no fundo, as regras, convenções e expectativas ao invés de a verdade sobre a felicidade. Abre aspas: 

“Ao invés de assumir que a felicidade está onde a encontramos, nós podemos argumentar que ela está onde esperamos que ela esteja (…)”. 

Fecha aspas. 

Dito de outra forma: a felicidade não é aquilo que se mede, como espero ter ficado claro aqui nesse episódio. Ao invés disso, aquilo que se mede acaba sendo chamado de felicidade. 

A estratégia de desenvolver a “parafernália estatística”, de investir na confiança estatística ao invés de na validade conceitual… Esse sair medindo e pesquisando um objeto elusivo só vai reforçar estereótipos tal qual uma famosa conclusão do pesquisador holandês Rut Veenhoven (1991) de que, abre aspas, “a pessoa feliz é de país desenvolvido, de classe dominante, rica, extrovertida (…)” fecha aspas.

Discussão

Então vamos todos sentar no cantinho do quarto em posição fetal e chorar? Se você quiser, fica à vontade, é bom poder chorar de vez em quando. Ou então, abandonar as pesquisas sobre felicidade? Daí não. As pesquisas são muito valiosas. Tem muita coisa muito rica nessas pesquisas e que promovem reflexões importantes sobre como queremos viver a vida. Mas os limites e as fragilidades precisam estar expostas, serem analisadas, consideradas no desenho dos experimentos. Eu preciso saber que não vou medir “a felicidade”, mas como as pessoas “falam da felicidade”; preciso saber que não vou isolar as variáveis para encontrar causalidade… não há causalidade específica na felicidade. A vida é a causa da felicidade.

Isso não significa que a pesquisa sobre felicidade vai ser menos científica ou menos importante. Pelo contrário, será mais rigorosa! A medicina estuda saúde e doença, que são objetos tão vagos quanto a felicidade e as pessoas respeitam a medicina ainda assim (com críticas, claro). Mas o estatuto científico da Medicina é respeitado mesmo que quando ela passa por importantes reparações, como desconsiderar a homossexualidade como doença mental (Prinzing, 2020, p.6).

Mas o que é bem chato nesse universo de pesquisa da felicidade é que quando os pesquisadores foram convocados a se retratarem diante de problemas/fragilidades metodológicas ou de falsas conclusões, isso gerou pouquíssima mudança prática. Tanto o Seligman, como a Lyubomirsky e a Fredrickson tiveram importantes pesquisas questionadas em revistas de muita relevância, mas não se retrataram, não retiraram os livros com promessas falsas de circulação… as pesquisas seguem aí, sendo citadas aos montes.

Nessa hora você pode estar pensando “ele está mesmo dando uma bronca nesses pesquisadores, que são os mais importantes na área?”… pois é. Pode parecer meio ridículo, mas se você chegou até o fim desse episódio, deve concordar, pelo menos um pouco, com os argumentos que eu apresentei aqui.

Deixa eu aproveitar e te falar sobre um instrumento de avaliação que eu gosto de usar e sobre um exemplo de uma boa condução de avaliação da felicidade em situação real. Pela abrangência, eu gosto de usar o instrumento de avaliação chamado “Self-Anchoring Striving Scale”, desenvolvido pelo Hadley Cantril, psicólogo americano, em 1965. Esse instrumento também é utilizado pelo instituto Gallup (2021) desde 2005 na Gallup World Poll. Mas eu vou chamar o “Self-Anchoring Striving Scale” de Escada de Cantril pra facilitar. Ela é bem simples e funciona assim, abre aspas:

“Por favor imagine uma escada com degraus numerados do zero na sua parte mais baixa até 10, na mais alta. Suponhamos que a parte mais alta representa a melhor vida possível para você e a parte mais baixa representa a pior vida possível para você. Em qual degrau dessa escada você sente que está nesse momento, assumindo que quanto mais alto estiver, melhor você se sente sobre sua vida, e quanto mais baixo estiver, pior se sente sobre ela? Qual degrau se aproxima mais da forma como se sente?”.

Fecha aspas.

Esse instrumento, a meu ver, é o que mais se aproxima da definição que eu dou para felicidade, de que tem a ver com a ideia sobre a melhor forma de se viver. Mas embora eu goste muito desse instrumento, eu não posso assumir que se está avaliando a felicidade… mas uma aproximação numérica que a pessoa faz a partir do enunciado. Ou seja, mais preciso eu falar que se avalia a proximidade da melhor vida possível do que em grau de felicidade.

Por fim, deixa eu dar um exemplo muito massa de consideração dos limites da pesquisa sobre felicidade, no caso Bem-Estar, que rola na Irlanda do Norte. Esse método é parte de uma iniciativa para medir e acompanhar o bem-estar da população. A avaliação não usa um instrumento fixo, mas um que está sistematicamente sendo alterado. Eles fazem convocações para criar grupos de discussão que representem bem toda a diversidade da população; esses grupos discutem e determinam os tópicos mais importante para o Bem-Estar deles naquele ano; esses tópicos são medidos, geram relatórios e daí começa um novo ciclo.

Eu acho esse método lindo. Tenta abraçar a diversidade do que é bem-estar para as pessoas, assume que isso vai mudar de tempos em tempos e segue a vida. Vai ser o sonho estatístico de medir sempre a mesma coisa ao longo do tempo? Não. Mas assume as fragilidades e faz o trabalho mais rigoroso que dá diante delas.

Desfecho

Então, com isso, não desanime porque nem tudo está perdido. Tem luz no fim do túnel! E com essa mensagem otimista, que é rara por aqui, vou encerrar o episódio. Nada de citação dúbia, complexa, irônica pra estragar a alegria desse fim. 

Quando tiver um tempo, dá um pulo na página do podcast, avessodafelicidade.com, lá você vai encontrar o contato pras minhas redes sociais, sugestões de leituras, a transcrição dos episódios e outras coisas mais.

Espero que você tenha gostado e até o próximo episódio!

*****************

Twitter: @lusbricker

Referências: 

Brown, N. J. L., Rohrer, J. M. (2020) Easy as (Happiness) Pie? A Critical Evaluation of a Popular Model of the Determinants of Well‑Being. Journal of Happiness Studies, 21, 1, 1285-1301.

Cromby, J. (2011). The Greatest Gift Happiness, Governance and Psychology. Social and Personality Psychology Compass, 5(11), 840–852.

Diener, E., Emmons, R. A., Larsen, R. J., & Griffin, S. (1985). The Satisfaction with Life Scale. Journal of Personality Assessment, 49, 71-75.

Diener, E.; Seligman, M.E.P. (2002).Very happy people. Psychol Sci 13(1): 81-84.

Harré, R. (2002). Material Objects in Social Worlds. Theory, Culture & Society, 19(5–6), 23–33. https://doi.org/10.1177/026327640201900502

Lyubomirsky et al. (Rev Gen Psychol 9:111–131, 2005. https://doi.org/10.1037/1089-2680.9.2.111)

Prinzing, M. (2020). Positive psychology is value-laden—It’s time to embrace it, The Journal of Positive Psychology, DOI: 10.1080/17439760.2020.1716049

Yin, P. and Xiao, X. (2021) Autonomous Sensory Meridian Response: Phenomenon That Promote Happiness. Psychology, 12, 321-326. doi: 10.4236/psych.2021.123021.

Sobre o instrumento “Satisfaction with Life Scale”: 

http://labs.psychology.illinois.edu/~ediener/SWLS.html 

Sobre a pesquisa de Harvard: https://news.harvard.edu/gazette/story/2017/04/over-nearly-80-years-harvard-study-has-been-showing-how-to-live-a-healthy-and-happy-life/

Sobre a pesquisa na Irlanda do Norte:

Towards a Wellbeing Framework: Short Report

Deixe um comentário